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HISTÓRIA

                História da Rádio Clube de Marília

                " Parece que finalmente a tão decantada estação de rádio sai do campo dos projetos para o domínio da realidade". Assim, o jornal Alto Cafezal, em 1936, anunciava a rádio aos marilienses. A cidade de Marília esperava ouvir notícias, intercaladas com canções bonitas. As pessoas passariam horas agradáveis ouvindo a tão esperada estação local. Com a inauguração, nasceu uma espécie de clube, um pouco chique de reunião de gente elegante da cidade onde declamadores, pianistas e cantores, amadores ou não, demonstravam o seus talentos.
                A Chegada da rádio nessa cidade do interior paulista veio acompanhada de uma grande expectativa e euforia dos marilenses, que eram compostos, em sua maioria, por pessoas analfabetas, o que facilitou ainda mais a aceitação do rádio pois "quem não lia, pelo menos ouvia". Começa aqui a História da nossa Rádio Clube de Marília, a pioneira da cidade.

Década de 1930.

                Em irradiações de experiências vem, desde quarta-feira última, funcionando a Estação Difusora de Marília, batizada com o nome de Rádio Clube de Marília, devendo ficar, dentro de poucos dias terminadas as experiências, passando a irradiar programas próprios (jornal Altos Cafezal, março de 1936 ). Dias depois, a emissora teve o seu funcionamento definitivo autorizado pelo Decreto n731, de 03 de abril de 1936 e, em 22 de junho de 1936, a Rádio estava no "ar", podendo ser encontrada na Faixa dos 1090 Kilociclos.

                Nascida da idéia realizadora de Pedro Marinho de Mello Junior, um moço, de ampla visão, que veio para Marília e aqui resolveu iniciar os trabalhos para dotá-la de um emissora, e, de Gustavo Gam, seu colega e colaborador, a Sociedade Rádio Clube de Marília, de Prefixo P,R,I,-2, localizava-se na Avenida Gonçalves Dias, em frente a Delegacia de Polícia. Tratava-se de um sobrado composto por um estúdio, um auditório, com capacidade de 160 lugares, e um palco.
                Pedro Marinho, como citamos, um dos fundadores da P,R,I,-2, em 1937, desejamos dar maior impulso a sua organização, recebeu a colaboração de mais dois novos dirigentes, os Senhores: Flávio Moraes de Toledo Piza e Oscar de Moraes Barros, pessoas completamente integradas na vida social e econômicas da cidade. Passando para Diretor-Proprietário, em 1938, Oscar de Moraes Barros, promoveu uma reestruturação na emissora, tornando- uma das melhores em nosso Estado. Neste ano, a P,R,I,-2, considerada uma das rádios com maior potência do interior do Estado, ganhou novas instalações, passando para a Avenida Rio Branco, n24.
                Milhares de pessoas, de São Paulo e de outros Estados brasileiros, puderam ouvir diariamente, a "voz de Marília", emitida pelos microfones da emissora que apresentavam programas de estúdios, músicas, teatro e jornal falado em dois períodos: um, pela manhã, das 9:00 as 14:00 horas;  o outro, a  noite, das 16:30 as 23:00 horas.
                Confirmando a sua importância e seu desenvolvimento, a P.R.I.-2 recebeu, durante o ano de 1938, visitas ilustres como a do Cônsul de Portugal e sua comitiva, que  ocupou o microfone para agradecer e se despedir do povo mariliense. Também, passaram pelo seu estúdio, famosos da época: J.J.Jorge, parodista da Rádio Tupi de São Paulo; o humorista radiofônico, Sr. Vital Fernandes da Silva, conhecido como Nhô Totico, da Rádio Record, o compositor, cantor e jornalista Edgard Cardoso, autor de inúmeras músicas de notável sucesso na época; entre outros. Assim, a Rádio Clube de Marília completou, em 22 de junho de 1938, o seu segundo ano de vida, acompanhando e amparando o progresso de nossa cidade. Com uma incansável busca por melhorias, Oscar de Moraes Barros, em 1938, continuou investindo novidades. Oscar recebia cartas de ouvintes de Bauru, Araraquara, Belo Horizonte, entre outras cidades que conseguiam captar as ondas sonoras da P.R.I.-2.

                Motivada pelo sucesso, foi anunciada, nesta época, um concurso para candidatos a locutor - speaker - visando a ampliação de quadros e programas da rádio. Os primeiros speakers  foram Nair Jordão, Ramis Guatás, Nelson de Souza e Osvaldo Luiz Angarano. A Emissora passou a contar, além dos programas de discos de música popular e erudita, com a apresentação de programas ao vivo com cantores e instrumentistas, entrevistas, reportagens e jornais falado.
                Há três anos lançando, pelos ares, as boas novas de Marília, a P.R.I.-2 passou a promover intercâmbios de artistas de renome no cenário nacional, proporcionando, a cidade, momentos de lazer e arte. Segundo o projeto da Rádio Clube de Marília, seria promovido um Festival em cada mês, com a apresentação de um artista da cidade e outro de fora, alternadamente. Dessa maneira, de sessenta em sessenta dias, um representante renomado do mundo artístico de outras cidades passaria por Marília, bem como, os artistas de nossa terra também seriam prestigiados.
                O primeiro resultado deste intercâmbio foi a belíssima apresentação de um Recital de Canto com Zezé Lara Infante Vieira, que se apresentou no Cine São Luís para uma seleta platéia. O Festival, organizado pela P.R.I.-2, foi patrocinado pela prefeitura Municipal de Marília, Associação Comercial e Sociedade Luso-Brasileira. Zezé Lara foi uma cantora que passou por vários microfones, das mais importantes emissoras, sempre com crítica favorável da imprensa. Além de promover eventos, a P.R.I.-2, ainda no ano de 1939, não parou de inovar a sua grade de programação. Seus programas esportivos passaram a ser mais selecionados, dando destaque e cobertura aos esportes praticados em nossa cidade. Também, cantou com um programa temporário de Nelly Bijou, uma conhecida cantora portenha que apresentava um programa de músicas brasileiras.

                Não esquecendo da importância dos nossos artistas, a Rádio Clube de Marília proporcionou, ainda, dois Festivais de Artistas Amadores de Marília. Entre eles, estava a dupla Cain e Abel, que ainda hoje fazem sucesso em nossa cidade.
                Finalizando a década de 1930, pode-se concluir que Oscar de Moraes Barros, com sua privilegiada visão empresarial, transformou a Sociedade Rádio Clube de Marília, P.R.I.-2, em uma das grandes emissoras do interior paulista.

                A Era de Ouro da P.R.I.-2

                Em cada canto da nossa cidade era possível ouvir o som, nítido ou não, de um aparelho de rádio transmitindo as notícias locais. A popularização nacional do rádio e a permissão da veiculação de publicidade, alcançados na década de 30, facilitaram ainda mais o sucesso da P.R.I.-2 em nossa cidade.
                A Rádio Clube de Marília passou a influenciar no comportamento dos marilienses. As empresas, empolgadas, disputavam o mercado e, através do rádio, lançavam promoções para os ouvintes, passando a vender mais, aumentando seus faturamentos e contribuindo para o crescimento da cidade. Além de "ditar moda" a P.R.I.-2, assim como as demais rádios nacionais, com seus serviços de utilidade pública, integrou os marilienses com a vida social e política da cidade.
                Enquanto em 1940 Marília completava seus 11 anos de vida, sendo já considerada uma cidade modelo do interior paulista, a P.R.I.-2 comemorava, com grande sucesso, o seu 4 ano de trabalho e o início da sua era de ouro que perdurou por mais de trinta anos. Na ocasião, a Rádio Clube de Marília predominava não apenas na cidade mais em sua região. Sua forte propagação devia-se ao fato de não haver tanta emissora de rádio no Brasil, ficando assim a freqüência dos 1090 Kilociclos livre para se expandir.

                Estrutura da P.R.I.-2

                Durante parte da década de 40, Oscar de Moraes Barros continuou apostando no sucesso da Rádio Clube de Marília. Essa rádio, que nasceu na Avenida Gonçalves Dias, ganhou instalações em um prédio anexo ao Cine Marília onde, contava com um estruturação técnica moderna, recebeu vários convidados de diversas áreas, oferecendo aos mesmos ótimas condições de apresentação, divulgação e pronunciamento, podendo sempre contar com o apoio e a eficiência do corpo técnico que era composto, na época, por Oscar de Moraes Barros, diretor-gerente; Carmo Valentin, programador e organizador da discoteca, Omar Nunes, Armando Gomide, Ariel Fragata e Eurico de Oliveira, locutores; Martiniano Affonso, operador do transmissor; Cida, Octávio Lignelli e Santos Rosa, operadores; Zozô, Jayr P. Gomes, Ferreira Lima, Barbosa, Sousa Brito, José Brito e Nogueira Santos, artistas e Hamilton Amaral, diretor de publicidade.
                Comprovando esse sucesso, a emissora recebia cartas de diversos locais do nosso país com a do Senhor Natanael Martins Delgado que residia em Natal, Rio Grande do Norte, e assim dizia: "Prezado Diretor da P.R.I.-2, quero enviar-lhe com esta, as minhas sinceras saudações e felicitações a sua perfeita estação e aliás orgulho justo do povo de Marília aqui em Natal, capital do estado, existe um ouvinte assíduo da sua potente estação, sou eu. Ouço diariamente das 21 as 22 horas" (Jornal Correio de Marília, 17/04/1942).
                Em 1947 a Rádio Clube de Marília passou para as mãos de Rosina de Moraes Costa. Rosina casou-se com Fernando Getúlio Neves da Costa, um homem com alma de radialista que, desde cedo, acompanhava a vida das emissoras de rádio que iam surgindo em São Paulo e mais tarde, com a colaboração de seu pai, fundou a Rádio Difusora de São Paulo. Fernando veio conhecer Rosina na própria Rádio Difusora, onde ela atuava como cantora lírica. Após a morte de Fernando Getúlio Neves, a Rádio Difusora de São Paulo sofreu um abalo em suas estrutura, passando a ter então, como acionista majoritário da rádio, Assis Chateaubriand, que deu vida nova a emissora.
                Com um empréstimo de certa quantia concedida por Assis Chateaubriand, Rosina adquiriu a P.R.I.-2 que pertencia a seu primo Oscar de Moraes Barros. Quase que sem experiência no ramo, Rosina dirigiu pessoalmente a emissora. Dedicando-se com afinco à nova atividade, alavancou a Rádio Clube de Marília para um futuro de sucesso, tornando-a líder de audiência em vasta região do Oeste Paulista.
                Uma de suas primeiras providências foi a ampliação dos espaços da P.R.I.-2, transferindo a sede da mesma, que ficava no alto do antigo Cine Marília, para um novo edifício, recém construído pelo empresário Frank Miloy Milankovich, na Rua Paes Lemes, onde a emissora passou a contar com cômodos específicos destinados a seus diversos departamentos: recepção, diretoria, escritórios, publicidade, redação, auditório, palco, estúdio de locução, técnica, discoteca, arquivos e sanitários para funcionários e público. As transformações também abrangeram os equipamentos que foram substituídos por aparelhos mais modernos, tanto para os estúdios e a técnica quanto para os transmissores situados em uma ampla chácara, na saída para Vera Cruz.
                A fim de enriquecer a discoteca, Rosina tomou uma iniciativa original que bem definia seu espiríto empreendedor: abriu, em plena Avenida Sampaio Vidal, uma moderna loja de discos - Palácio do Disco - através da qual, além de comercializar esses produtos, dotava a emissora com os últimos lançamentos nacionais e internacionais a preço de fábrica. Para reorganizar e modernizar a discoteca, Rosina contraou o artista Dirceu Câmara Nery, filho de Amélia Brandão que foi a famosa Tia Amélia, pianista e compositora de extraordinário valor. Dirceu, também musicista e profundo conhecedor da música erudita e popular, enriqueceu extraordinariamente a discoteca da emissora.
                Outra iniciativa de Rosina foi a criação de um estúdio para gravação de discos de acetato, dotado de equipamentos de última geração. Nele eram gravados jingles musicais para a P.R.I.-2 e para demais emissoras da região. Rosina enfrentou muitas dificuldades durante os anos de sua empreitada em Marília. Por ser mulher, jovem e viúva, foi alvo de inevitáveis assédios, pressões e preconceitos. Contudo, jamais se deixou abater. Revelou-se uma profissional competente, o que se refletia não apenas na qualidade da programação, mas também no faturamento publicitário obtido em Marília e em outras cidades da região. Rosina afastou-se da Rádio Clube de Marília no início da década de 50.
                Em 1951 a Rádio Clube de Marília passou para o domínio das Emissoras Coligadas, dirigida pelo senhor Ulisses Milton Ferreira. Trata-se de um grupo economicamente forte que injetou recursos financeiros na emissora e proporcionou mais prestígio e melhores condições de trabalho. Os estúdios e auditório da P.R.I.-2 passaram a ter aparelhagem de som mais alto conceito mundial. A mesa de som dos locutores era da R.C.A, marca reconhecida mundialmente; o sistema de agulhas usado para época. Aos funcionários, era passada a idéia de que o sucesso da emissora dependia do empenho deles, por isso exigia-se muito. Suas tarefas deviam ser cumpridas da melhor maneira possível e sempre pensando na satisfação dos anunciantes e ouvintes porém, esses profissionais eram bem recompensados e reconhecidos pela P.R.I.-2. As maiores empresas de propaganda do Brasil passaram a veicular seus textos na Clube tendo em vista essa forte e séria emissora. Assim, esta boa estrutura garantiu a P.R.I.-2, durante a sua época de ouro, onde os investimentos eram constantes, um trabalho bem feito e aos seus ouvintes e anunciantes, a satisfação de tê-la como veículo de comunicação.

                Programação de Ouro

                A programação da Rádio Clube Marília, em sua época de ouro, tornou a P.R.I.-2 uma das emissoras de rádio mais ouvida em nossa região. Os locutores, ao entrarem todos os dias no "ar" , comandavam uma série de programas de vários estilos, que agradavam os marilienses e garantiam o sucesso da Clube. Seus noticiários e programas musicais sempre foram líderes de audiência. Era um fórmula de sucesso que foi evoluindo com o passar dos anos.
                A programação da rádio sempre seguiu um padrão. Normalmente, as transmissões começavam logo cedo com os noticiários. Após, entravam no "ar" programas musicais, atendendo  sempre aos pedidos dos ouvintes. No horário do almoço, por volta das 11 horas, outro jornal falado passava em revista as notícias do dia. À tarde mais música de vários gêneros e ao final do dia, mais um programa jornalístico.
                O jornalismo contava com programas como "Quarto de Hora do Diário Paulista" que transmitia o noticiário recebido das agências noticiosas de São Paulo, como o Jornal Diário Paulista. Nele, os últimos acontecimentos nacionais, internacionais e os assuntos locais eram narrados a partir das 18 horas. "Reportagens pelo ar" também foi outro grande sucesso. O programa, sob a direção de Laércio Barbalho, advogado e jornalista, tinha como objetivo informar a população mariliense a respeito dos seus problemas e das suas necessidades, sugerindo e apoiando movimentos que pudessem beneficiar e estimular o progresso em Marília. Wilson Matos, locutor de sucesso da época, apresentava dois programas deste gênero, líderes de audiência: "Voz da Polícia", que relatava as ocorrências policiais da cidade e "Rádio-Reportagem" , um noticiário geral.
                A P.R.I.-2 Rádio Clube  de Marília, no propósito crescente de divulgar tudo o que era interesse e meio de progresso na cidade, inseriu na programação mais uma novidade: o "Palco Sonoro da P.R.I.-2". Desacreditado por alguns da cidade como o colunista do Jornal Correio de Marília, Sydney Faria, que em uma de suas colunas afirmou não sintonizar este tipo de programa junto ao aparelho, com esta programação teatral, o "Palco Sonoro" provou que era outra fórmula de sucesso realizada pela P.R.I.-2. Tratava-se de um rádio-teatro interpretado por um grupo especial de rádio-atores como Omar Nunes, Eurico de Oliveira e Teixeira Filhos, todos funcionários da casa.
                O "Palco Sonoro" teve sua estréia em 1942 com a peça "Asas da Liberdade", escrita por Aurélio Campos, locutor da Rádio São Paulo. Outras peças "encenadas" pela turma da Clube foram "Um erro judiciário", de autoria de Batista Diniz e adaptação radiofônica de Teixeira Filho e "Silêncio", peça radiofônica original de Omar Nunes que já era considerado um jovem teatrólogo mariliense. Os efeitos dessa peça, que alcançou grande sucesso, ficaram a cargo Natalício Barbosa, um dos melhores operadores da P.R.I.-2; a sonoplastia coube a Carmo Valentim e a direção a Omar Nunes. O sucesso do "Palco Sonoro" alastrou-se por muitos anos, tanto que a Rádio Clube lançou na época mais dois programas do gênero: "Romance no ar" e "Teatro Relâmpago".
                O sistema de rádio-teatro da P.R.I.-2  não perdia em nada para o dos grandes centros do país. Janete Clair, uma das grandes escritoras de rádio-novelas, começou no rádio e forneceu muitas histórias contadas pela P.R.I.-2 eram como as telenovelas de hoje, onde a última cena sempre terminava com um suspense para ser resolvido no próximo capítulo. Algum tempo depois, o colunista do Correio de Marília, Sydney Faria, voltou a escrever sobre o "Palco Sonoro da P.R.I.-2", só que desta vez declarou a sua surpresa quanto à capacidade dos artistas da Rádio Clube de Marília que estavam se apresentando como autênticos rádio-atores e que conseguiam prender a atenção de todos os ouvintes.
                A realidade da P.R.I.-2 comprovava a qualidade que a emissora apresentava, não sendo apenas uma simples estação de rádio do interior, mais sim uma emissora que a cada dia crescia mais e ganhava reconhecimento nacional. A Clube não era um instrumento de propaganda visando ao lucro; muito menos era considerada uma rádio política, visto que nesta época nunca sofreu nenhuma censura por parte do governo. Tratava-se de uma emissora onde era encontrados bons programas com eficientes apresentadores. Era considerada um veículo de ensinamento culturais.
                Os programas musicas da Rádio Clube Marília, no inicio com ouvintes mais seletos, davam prioridade para músicas clássicas. A emissora sempre proporcionou à elite mariliense recitais e concertos musicais, normalmente apresentados no salões do Marília Tênis Clube ou no Cine São Luiz. Assim, Marília pode prestigiar Recitais com: Helena de Magalhães Castro, declamando e apresentando canções no violão;  Silene e Amélia Brandão, intérpretes de música típicas de todo o país; Prof. Levino Albano Conceição, um violinista brasileiro que era cego; Frutuoso Vianna, pianista e compositor, entre muitos outros talentos
                Com a popularização da rádio, outros tipos de músicas ganharam espaço. Junto com elas, os programas de auditório vieram com grande força, passando a ser a melhor diversão dos marilienses. Álvaro, colunista do Jornal Correio de Marília, escreveu na época a seguinte nota: "O auditório da P.R.I.-2", localizado no Cine Marília e depois transferido para as instalações da Paes Leme, era muito bem freqüentado tanto pelos ouvintes, que lotavam o espaço para terem minutos de diversão e prazer, quanto por artistas de projeção nacional e internacional, que fazia as suas apresentações diretamente do palco da Rádio Clube.
                Os programas de calouros eram um sucesso. Os candidatos, em número considerável, concentravam-se em uma sala onde se encontrava o microfone da emissora. Enquanto isso, do portão de entrada da P.R.I.-2 até o auditório, as pessoas ficavam em fila esperando para poder entrar e se divertir com as "gongadas"  que os calouros levavam quando não iam bem ou então aplaudir aqueles que tinham talento. José Marques Beato, locutor da era de ouro, apresentava o programas de calouros "Roda Gingante" todas as quartas-feiras, sempre líder de audiência no horário. Além deste programa, José Marques Beato comandava mais quatro programas de auditório durante a semana sendo: dois programas infantis, onde era patrocinado pelo Pacifício Marília,  indústria de macarrão da cidade, e outro era chamado de "Escolinha Airilan", um programa de perguntas e respostas dos mais variados assuntos, também o programa musical "Domingo é nosso", apresentado das 18 as 21 horas, muito prestigiado pelos ouvintes e por último um programa juvenil que entrava no ar todas as tardes de sábado.
                Nhô Constâncio era locutor sertanejo mais conhecido da região. Seu programa diário alegrava todas as tardes, carregando com ele uma legião de fãs que o admirava. Na época, ouve uma "guerra " do " iê iê iê ", que representava as músicas populares nacionais e internacionais, contra o "lari-larai", que defendia a música sertaneja. Os cavaleiros da zona rural de Marília defendiam bravamente seu querido locutor Nhô Constâncio que permaneceu por muitos anos, com sucesso, na P.R.I.-2.
                Além de contar com um acervo de discos contendo aproximadamente 90 mil músicas, os programas musicais recebiam constantemente, no estúdio e auditório da P.R.I.-2, pessoas famosas que sempre foram muito bem recebidas pela emissora e por isso, levaram o nome da Rádio Clube Marília ao restante do país com muito respeito e admiração. Os shows de grandes público, promovidos pela emissora, não contavam com um espaço adequado para acomodar todos. Normalmente, os artistas instalavam-se na sacada do prédio da P.R.I.-2 e lá apresentavam os seus espetáculos que eram apreciados por milhares de pessoas que se espalhavam pela rua. O cantor Orlando Silva, um dos mais populares intérpretes da nossa musica brasileira, durante a década de 40 até 60, apresentou-se na Clube. Bob Barlow, cantor americano de grande fama em todo continente, também passou pelos microfones da emissora, acompanhado da orquestra do Marília Tênis Clube. Nelson Gonçalves, cantor inesquecível, levou o publico mariliense ao delírio com sua apresentação feita na sacada do Cine Marília.

                Os artistas que passavam por nossa região faziam questão de comparecer a um programa de auditório da P.R.I.-2 pois por meio dele havia a certeza de que suas canções iriam ser ouvidas e prestigiadas. Assim, cantores como Izaurinha Garcia, Francisco Alves, Francisco Petrônio, Silvio Caldas, Maísa, Dorival Caymi, Agnaldo Rayol e Ângela Maria, Nomes de talento nacional, passaram pelo palco da Clube de Marília. O conjunto "Os Incríveis" foi batizado com esse nome em um show realizados por eles em nossa cidade, promovido pela emissora, em 1964. Os cinco garotos da banda: Nino, Risonho, Manito, Mingo e Neno, enfrentavam problemas com o antigo nome do conjunto s The Clevers. foi auxílio de José Marques Beato, locutor e apresentador da rádio na época, e três fãs que estavam, durante o show, com uma faixa escrita "Os incríveis The Clevers", que nasceu o novo nome da banda. Renato e seus Blue Caps, outro reconhecido conjunto musical, também passou com grande sucesso por esta emissora. Além destes, muitos outros talentos passaram pela P.R.I.-2 fazendo desta rádio uma emissora reconhecida, ouvida e admirada por muitos, em vários pontos do país. Sua época de ouro durou muito além das demais mas do Brasil.

                Locutores que deixaram saudades

                Dentre muitos que passaram pela Rádio Clube de Marília, na sua época de ouro, há aqueles que fizeram história e merecem ser lembrados, servindo de exemplo para os atuais e futuros locutores. Alguns permaneceram na cidade, outros destacaram-se em importantes emissoras do nosso país, José Miguel Neto, sob o titulo de "novo locutor" da emissora mariliense, iniciou sua carreira, na P.R.I.-2, em 19 de maio de 1942, através de um concurso realizado pela rádio, onde conquistou o primeiro lugar. Miguel Neto preferiu ficar em Marília onde constituiu uma sólida posição no mundo radiofônico da cidade.
                Jayme Martins também iniciou sua carreira de radialista na P.R.I.-2, durante a década de 40, ao tempo de Rosina. Foi para Pequim, onde permaneceu por 20 anos como professo der português e correspondente dos jornais O Globo, Estadão e Jornal da Tarde.
                Wilson Matos, nome forte na radiodifusão mariliense, teve seu interesse despertado pela locução através de programas dos anos 4-, apresentado por Sérgio Paiva, Omar Nunes e Ariel Fragata, que eram locutores de grande projeção da época. Começou a participar da programação da P.R.I.-2 em 1946; mais foi em 17 de outubro de 1951 que Wilson Matos foi definitivamente contratado pela Rádio Clube de Marília, recém assumida pelas Emissoras Coligadas. Foi um dos locutores que mais se destacou na Clube. Seus programas "Voz da polícia", "Rádio-reportagens" e "Peça o que quiser" eram líderes de audiência. Atualmente, Wilson Matos é acionista e locutor da Rádio 950, antiga "Verinha AM" - 2 emissora de rádio da cidade.
                Outro locutor de destaque na cidade foi José Marques Beato que começou, profissionalmente no rádio, em 02 de abril de 1960 através dos microfones da P.R.I.-2.
Ao longo dos anos, esse locutor, de grande importância para o rádio mariliense, comandou programas de diversos gêneros, chegando a apresentar cinco programas de auditório por semana. Em 1970 foi convidado pelo diretor das Emissoras Coligadas, Ulisses Milton Ferreira, para assumir a direção da Rádio Clube de Tupã. Em 1983, José Marques Beato voltou para Marília assumindo a direção da Rádio Clube de Marília e a gerência da Rádio Itaipu FM, que também pertence ao mesmo grupo.
                Rubens Ramos, hoje colunista do Jornal da Manhã de Marília, iniciou sua carreira em junho de 1955 como operador de estúdio da P.R.I.-2. Exerceu diversos cargos dentro da Rádio  como programador, discotecário, repórter esportivo de campo, redator esportivo, produtor de programas, etc. Permaneceu na emissora até março de 1992. Através de entrevista, Rubens Ramos disse que o rádio é imortal. É uma verdadeira escola com vários estágios que podem diplomar gênios e criar malandros. Confessou que tudo o que aprendeu de bom na vida foi através da Rádio Clube de Marília porém, afirmou que atualmente não ouve mais rádio.
                O radialista Benedito Rosalvo Pinheiro, que faleceu em outubro de 2001, foi um dos pioneiros do rádio em Marília. Sua criação, desde pequeno, por seu tio, Martiniano do Vale, que trabalhava como técnico na P.R.I.-2, proporcionou um convívio com a emissora, onde aprendeu quase todas as funções da rádio. "Era conhecido como faz tudo, pois numa certa etapa ele não só ajudava nas questões técnicas da rádio como na administração e também na locução", assim disse sua esposa, Odécia Panetini, que também foi radialista. Benedito Pinheiro começou a atuar na Rádio Clube de Marília por volta de 1950, destacando-se como locutor esportivo. Em 1952, Benedito foi convidado a trabalhar na Rádio Vera Cruz AM, onde atuou, com suas locuções esportivas, até 1972. Atualmente, dedicava-se a filantropia da cidade.
                Muitos outros locutores, formados no palco e estúdios da P.R.I.-2, partiram para São Paulo e Rio de Janeiro, conquistando os seus espaços, como: Raul Brunini; Sérgio Paiva; Wolner Camargo e seu irmão Doalcey; Dalmácio Jordão, o reconhecido nacionalmente "Repórter Esso"; Amaro César, que passou pela Rede Bandeirantes; Luiz Ayala; Fausto Batistetti, que virou Fausto Canova, o melhor disk-jóquei da música popular brasileira, com seu programa diário da Radio Cultura AM; Muibo Cury; Regina Lara, primeira locutora feminina; Omar Cardoso, atualmente locutor e astrólogo e Takeo Nakazawa, primeiro locutor japonês. Entre os locutores esportivos destacaram-se Milton Camargo, Geraldo Tassinari; Éder Luiz; Dirceu Maravilha e Osmar Santos.


                História engraçadas vividas na P.R.I.-2

Durante anos de sucesso, passaram pela P.R.I.-2 inúmeros locutores, cada qual com seus estilos, uns irreverentes, outros mais sérios, mas todos preocupados em passar os recados. Com dificuldades de comunicação a distância, as pessoas procuravam a emissora para passar avisos a parentes ou conhecidos pois, na época, era o veículo de comunicação de maior alcance e de mais fácil acesso. Os bilhetes deixados pelos ouvintes eram lidos, na íntegra, pelos locutores, o que muitas vezes acabava gerando um verdadeiro festival de mensagens com duplo sentido. Wilson Matos, José Marques Beato, Rubens "Coca" Ramos e Jaime Martins, locutores da época de ouro, em entrevistas, lembraram locuções feitas na P.R.I.-2 que se tornaram motivos de riso, entre elas:
                "Atenção! Dona Maria, do sítio São José, favor esperar o seu marido as 14 horas e trazer o burro de seu pai".
                "Atenção! Dona Maria, do sítio São José, favor esperar o seu marido as 14 horas e trazer o burro de seu pai".
                "Atenção! Manoel, da fazenda Primavera, o Joaquim manda avisar que o  negócio do cavalo tá de pé; o negócio da égua tá fechado e o negócio do porco tá enrolado mas você fica tranqüilo porque ele continua com o negócio na mão".
                Outra história lembrada pelo locutor José Marques Beato, que apresentava o programa "Domingo é nosso"  , foi quando ele encontrou na cidade um camelô, conhecido como Mexicanito, o qual para vender os seus produtos, cantava tangos em castelhano, passando-se por um verdadeiro mexicano. Beato, encantado com o rapaz, resolveu convidá-lo para uma apresentação em seu programa com atração internacional. Assim, passou a veicular chamadas na emissora: "Atenção, atenção!  Amigos da Rádio Clube de Marília, neste domingo, o programa Domingo é Nosso estará apresentando uma atração internacional, Mexicanito, direto do México". Com o auditório lotado e ansioso pela apresentação, Mexicanito sobe ao palco, agradece a todos em castelhano e no final disse: ""Alô Padre Nóbrega! Alô Zé! Fala pro Joaquim que daqui a pouco eu to tomando uma cachaça com ele". Com isso, o auditório inteiro da P.R.I.-2 caiu em gargalhadas e o locutor José Marques Beato quase morreu de vergonha.
                A passagem do conjunto musical "Renato e seus Blue Caps" pela cidade também foi marcada  por imprevistos e, mais uma vez, Beato estava envolvido. Houve uma promoção muito grande em cima da vinda desses rapazes que iriam realizar um show na cidade. Os  ouvintes, eufóricos, foram "convocados" pela P.R.I.-2  a aguardar a chegada do grupo na estação da Ferrovia Paulista, as 16 horas. No entanto, "Renato e seus Blue Caps" chegando em Marília, com uma perua Kombi, às 9 horas na manhã. Mais que depressa, José Marques Beato explicou à banda a expectativa dos ouvintes que girava em torno da chegada deles no período da tarde, na ferrovia. Assim, o grupo que ficou aguardando em um hotel da cidade, sem poder sair até as 15 horas, foi levado por Beato até a cidade de Vera Cruz, de onde embarcaram no trem com destino a Marília, chegando às 16 horas na cidade como era esperado pelos milhares de ouvintes da P.R.I.-2.
                Bernardo Carrero, locutor esportivo da Rádio Clube de Marília, também passou por uma situação "meio complicado" ao transmitir uma partida de futebol na cidade de Presidente Prudente. Enquanto narrava o primeiro tempo do jogo, Bernardo Carrero era "cutucado", de minuto em minuto, por alguém. Carrero, irritado e sem entender o que estava acontecendo, continuou a narrar a partida. Ao final do primeiro tempo, o locutor, rapidamente, dirigiu-se ao rapaz e comentou: "Puxa vida! Eu transmitindo e você me perturbando o tempo todo". O rapaz, com toda calma, respondeu: "É que eu moro ao lado do estádio e um tal Octávio Lignelli telefonou de Marília e pediu para avisa-lo de que o som não está chegando na cidade".
                Esses foram alguns dos muitos fatos engraçados vividos pelos locutores da P.R.I.-2, durante  a sua época de ouro.

                NOVOS DESAFIOS DA RÁDIO CLUBE DE MARÍLIA

                Até os anos 1960, a P.R.I.-2 reinava em Marília. Como principal veículo de comunicação, a Rádio Clube de Marília exercia uma grande influência sobre os marilienses através de sua participação ativa na vida social, cultural, esportiva e política da cidade, levando sempre, à população, informações locais, nacionais e internacionais, além de muita música e diversão. Sempre colaborando com o progresso de Marília, a P.R.I.-2  incentivava e promovia todos os eventos que pudessem elevar o nome da cidade. No esporte, por exemplo, o grande time de futebol mariliense, São Bento, era motivado pelo entusiasmo da Clube. Contagiando a torcida com sua garra e carisma, a emissora organizava excursões de torcedores do São Bento que lotavam os estádios nas partidas do time. Conquistas como a Faculdade de Medicina de Marília foram acompanhadas e apoiadas através de reivindicações feitas pela rádio. A indústria e o comércio sempre tiveram a emissora como uma aliada para alcançar o sucesso de seus produtos.
                Como a chegada da década de 1960, grandes mudanças ocorreram na vida da P.R.I.-2. Assim como todas as emissoras de rádio do Brasil, a Rádio Clube de Marília também sofreu um grande impacto com a chegada da televisão na cidade e a entrada da freqüência modulada na antena. Outro abalo sofrido pela emissora foi a mudança de seu prefixo P.R.I.-2, sua maior marca de identificação. Uma medida do Ministério da Comunicações determinou que todas as emissoras que continham em seu prefixo "P.R"., que indicava pioneira, passariam a ter  "Z.Y" em seu lugar, isso em virtude do crescimento do número de emissora de rádio por todo país. A nossa P.R.I.-2 passou a ser ZYR.

 


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